25 de junho de 2026

Memórias de um Fato Concreto - o dia em que reféns foram libertados em Feira de Santana

A manhã daquele dia 5 de abril de 2012 – quinta-feira - ainda engatinhava. Depois de uma longa noite de rondas ostensivas e atendimento de diversas ocorrências, a guarnição do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) da 66ª CIPM já se preparava para encerrar mais um turno de serviço. O cansaço era inevitável, mas a missão ainda não havia terminado. Foi quando o rádio da viatura rompeu o silêncio.

Por volta de 6h, o Centro Integrado de Comunicação/190 informava que, pelo menos dois homens, portando armas de fogo, estavam assaltando um estabelecimento comercial, às margens da BR-116 Norte em Santa Bárbara e logo após teriam fugido em um Volkswagen Fox, cor verde. Além do roubo, levavam três pessoas como reféns: uma comerciante, seu filho e um funcionário.

Sem hesitar, os quatro policiais do PETO 66 mudaram a rota e ao invés de passarem o serviço, seguiram em diligência. A experiência dizia que cada segundo poderia significar a diferença entre a vida e a morte.

Pouco depois, já na BR 116 próximo de um posto de combustíveis, avistaram o veículo suspeito.

Um dos reféns conseguiu fazer um discreto gesto, um simples "toque", suficiente para transmitir aos policiais que qualquer intervenção naquele exato momento poderia colocar inocentes em risco. A decisão foi instantânea.

Os militares abortaram a abordagem, passaram pelo veículo como se nada tivesse acontecido e seguiram adiante. A prioridade era preservar vidas. Logo depois, solicitaram apoio de outra guarnição da 65ª CIPM e montaram uma estratégia para interceptar o carro em condições mais seguras.

O plano deu certo.

Os criminosos foram surpreendidos, presos em flagrante e os quatro reféns libertados sem sofrer ferimentos. Com a dupla, os policiais apreenderam dois revólveres calibre .38, aparelhos celulares e recuperaram o veículo utilizado na fuga que havia sido roubado na noite anterior, em Salvador.

Mais tarde, ainda emocionada, uma das vítimas resumiu o sentimento vivido naquela manhã: "Graças a Deus apareceu uma viatura da Polícia Militar. Eles tiveram calma, inteligência e coragem para nos salvar."

Naquele dia, o serviço policial que parecia estar chegando ao fim se transformou em uma das ocorrências mais marcantes da história da unidade, que ainda tinha sede em Feira de Santana – atualmente a 66ª CIPM está sediada em Conceição do Jacuípe. Para aqueles quatro policiais, o plantão só terminou quando todas as vítimas voltaram em segurança para suas famílias. E ficou mais uma vez a certeza de que, para quem veste a farda, a missão continua até o último minuto do serviço.

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